Boas noites minhas senhoras e meus senhores, pediram que vos falasse, hoje, do Mar e da Terra. E é precisamente disto que tentarei falar no tempo que me disponibilizaram.
Como sabem nasci numa ilha. E uma ilha vulgarmente define-se como sendo uma porção de terra rodeada de mar, por esta mesma razão sinto-me autorizado a navegar dentro do tema.
Não quero com isto dizer que quem não nasce ilhéu não poderá vir aqui conversar com vossas excelências, mas dificilmente saberá transmitir o sentimento de se ter nascido na terra rodeado de oceano. Dificilmente poderia transmitir-vos o cheiro que invade as nossas casas num dia de vento sul. Não saberia repartir o seu amor por nove pedaços
de fogo e pedra, cobertos por mantos imensos de verde. No entanto poderia cá estar outra pessoa a falar convosco como muitas vezes os ouvi falar do ser-se atlântico, da insularidade, do amor e da mágoa da ilha. Que sabem eles?
Mas aqui me apresento perante vós e irei falar do tema proposto.
Nasci numa ilha, como anteriormente o afirmei. Como todas as crianças brinquei no chão que outrora fora berço do vulcão. Senti-lhe a força, comi os frutos do seu ventre, bebi da sua frescura.
Fui crescendo e aprendendo a respeitar a terra. Fui aprendendo a rezar, a apaixonar -me com ela e por ela.
Esta terra que eu amo, esta que me liberta, que me enclausura, que me prende. Esta sim, a terra que eu amo.
Aqui perante vós quase que oiço a música vinda das suas entranhas. O doce gemido do seu ventre trazido pelo vento manso da caldeira.
A música fez-me lembrar a minha viola. Normalmente deixo-a sobre a cama. Nunca percebi porque faço tal coisa. Talvez seja por respeito para com o instrumento. Talvez até por amizade.
Sim por amizade. Tantos momentos temos compartilhado juntos. Alguns por tristeza, outros por alegria, mas a maior parte das vezes por paixão.
Paixão este maldito veneno que nos afoga a alma retirando toda a calma, entregando-nos à solidão. Mas não estou só, tenho-a: a minha alegre e fiel viola.
Através daquele simples instrumento descubro o meu estado de espírito. Se estou triste subo um tom. Faço-a gritar como se da minha alma se tratasse. Se estou feliz desço um tom e melancolicamente deixo os dedos passar pelo aço das suas cordas, enquanto me entrego a pensamentos distantes, tão distantes como tempo e a distância do mar.
Deixo-a ficar sobre a cama como se de uma amante se tratasse, como se fosse uma noiva nupcial, nervosa, pálida, mas com um olhar brilhante de felicidade.
A música que vem do seu interior parece a música do vulcão. O vulcão no meio da terra rodeado por mar.
Mas viver entre a terra e o mar é quase como viver entre o medo e a coragem, a loucura e a sanidade. É quase como um desafio.
Mas todos vós aqui hoje presentes sabeis bem que é verdadeiramente delicioso viver -se assim. Sei que não me contrarião certamente se disser que se houver loucura neste viver pois que prospere a insanidade porque loucamente viver-se assim melhor será que sobriamente subjugados acordar todos os dias num lugar que não nos identifique que não traga no ar algo de nós, algo que verdadeiramente dizemos ser nós mesmos. Que viva a loucura.
Já que falamos em loucura talvez possamos atravessar este conceito na descoberta de nós mesmos. Não vos irei repetir o que outros tantos afirmaram, deixarei a vosso cuidado as ilacções possíveis dentro do tema. Mas seremos verdadeiramente loucos no amor?
Talvez sejamos um pouco ao deixarmo-nos perder horas a fio em intermináveis cartas que nunca deixarão a secretária onde se perderam, mais não seja para se transformarem em milhões de pedaços para que o vento leve e só o tempo relembre.
Cartas de amor, carinho e algum desespero, começadas de mil formas diferentes, mas com um propósito tão comum: o amor. E novamente se pronuncia a vil palavra!
Como sabem nasci numa ilha. E uma ilha vulgarmente define-se como sendo uma porção de terra rodeada de mar, por esta mesma razão sinto-me autorizado a navegar dentro do tema.
Não quero com isto dizer que quem não nasce ilhéu não poderá vir aqui conversar com vossas excelências, mas dificilmente saberá transmitir o sentimento de se ter nascido na terra rodeado de oceano. Dificilmente poderia transmitir-vos o cheiro que invade as nossas casas num dia de vento sul. Não saberia repartir o seu amor por nove pedaços
de fogo e pedra, cobertos por mantos imensos de verde. No entanto poderia cá estar outra pessoa a falar convosco como muitas vezes os ouvi falar do ser-se atlântico, da insularidade, do amor e da mágoa da ilha. Que sabem eles?
Mas aqui me apresento perante vós e irei falar do tema proposto.
Nasci numa ilha, como anteriormente o afirmei. Como todas as crianças brinquei no chão que outrora fora berço do vulcão. Senti-lhe a força, comi os frutos do seu ventre, bebi da sua frescura.
Fui crescendo e aprendendo a respeitar a terra. Fui aprendendo a rezar, a apaixonar -me com ela e por ela.
Esta terra que eu amo, esta que me liberta, que me enclausura, que me prende. Esta sim, a terra que eu amo.
Aqui perante vós quase que oiço a música vinda das suas entranhas. O doce gemido do seu ventre trazido pelo vento manso da caldeira.
A música fez-me lembrar a minha viola. Normalmente deixo-a sobre a cama. Nunca percebi porque faço tal coisa. Talvez seja por respeito para com o instrumento. Talvez até por amizade.
Sim por amizade. Tantos momentos temos compartilhado juntos. Alguns por tristeza, outros por alegria, mas a maior parte das vezes por paixão.
Paixão este maldito veneno que nos afoga a alma retirando toda a calma, entregando-nos à solidão. Mas não estou só, tenho-a: a minha alegre e fiel viola.
Através daquele simples instrumento descubro o meu estado de espírito. Se estou triste subo um tom. Faço-a gritar como se da minha alma se tratasse. Se estou feliz desço um tom e melancolicamente deixo os dedos passar pelo aço das suas cordas, enquanto me entrego a pensamentos distantes, tão distantes como tempo e a distância do mar.
Deixo-a ficar sobre a cama como se de uma amante se tratasse, como se fosse uma noiva nupcial, nervosa, pálida, mas com um olhar brilhante de felicidade.
A música que vem do seu interior parece a música do vulcão. O vulcão no meio da terra rodeado por mar.
Mas viver entre a terra e o mar é quase como viver entre o medo e a coragem, a loucura e a sanidade. É quase como um desafio.
Mas todos vós aqui hoje presentes sabeis bem que é verdadeiramente delicioso viver -se assim. Sei que não me contrarião certamente se disser que se houver loucura neste viver pois que prospere a insanidade porque loucamente viver-se assim melhor será que sobriamente subjugados acordar todos os dias num lugar que não nos identifique que não traga no ar algo de nós, algo que verdadeiramente dizemos ser nós mesmos. Que viva a loucura.
Já que falamos em loucura talvez possamos atravessar este conceito na descoberta de nós mesmos. Não vos irei repetir o que outros tantos afirmaram, deixarei a vosso cuidado as ilacções possíveis dentro do tema. Mas seremos verdadeiramente loucos no amor?
Talvez sejamos um pouco ao deixarmo-nos perder horas a fio em intermináveis cartas que nunca deixarão a secretária onde se perderam, mais não seja para se transformarem em milhões de pedaços para que o vento leve e só o tempo relembre.
Cartas de amor, carinho e algum desespero, começadas de mil formas diferentes, mas com um propósito tão comum: o amor. E novamente se pronuncia a vil palavra!

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